Trabalhos Científicos

TRABALHOS APRESENTADOS NO 40º APIMONDIA MELBOURNE - AUSTRÁLIA

Lionel Segui Gonçalves -Prof. Titular da FFCLRP-USP de Ribeirão Preto-SP e Presidente da Comissão de Coordenação Técnico-Científica da Confederação Brasileira de Apicultura (E-mail:[email protected])

Em relação aos inúmeros trabalhos apresentados ao público, destacaremos resumidamente, a seguir, apenas alguns cujos resultados julgamos de interêsse dos apicultores brasileiros, destacando, em negrito, o apresentador do trabalho e o país de origem:

O produto Apiherb: uma nova perspectiva para o controle integrado da doença nosema (Apiherb: a new perspective for the integrated control of nosema disease ) por Antonio Nanetti (Itália).Em diversos países a inexistência comercial de Fumagilin, o surto da infecção das Apis mellifera pelo protozoário Nosema ceraneae e a necessidade de formulaões naturais que se adequem aos requerimentos da produção orgânica tem contribuído para uma crescente preocupação.

Esta é a razão do lançamento do produto Apiherb do laboratório Laif no controle integrado da doença nosema. Inicialmente foi aplicado com açúcar em abelhas confinadas e infectadas artificialmente com esporos de Nosema ,resultando na redução da infecção.

Posteriormente foram feitos sucessivos tratamentos separados por uma semana em colônias infectadas naturalmente usando solução de açúcar adicionado com óleo de thyme (três vezes), fumagilin (duas) ou Apiherb (3 vezes).Colônias não tratadas foram usadas como controle.O número de esporos foi registrado ambos no início e no final do período de tratamento.O número médio de esporos por abelha aumentou em ambos, colônias controle e no grupo tratado com óleo de thyme.

Tratamentos com Apiherb e Fumagilin resultaram em decréscimo da infecção (-46% e -60% , respectivamente) porém com diferenças estatisticamente não significantes entre eles, no entanto ,com diferenças estatisticamente significantes com os demais grupos, sendo o Apiherb consistente e recomendado no tratamento da Nosema.

Evolução da divisão de trabalho e especialização na atividade forrageira (Evolution of division of labor and foraging specialization). por Robert E. Page Jr. (USA). Recentes estudos comportamentais, genéticos e sobre o genoma das abelhas revelaram a origem desenvolvimental na evolução da divisão de trabalho e especialização forrageira das abelhas, marca da complexidade que representa a sociedade dos insetos.

O melhoramento seletivo para uma simples característica social (excesso de pólem nos favos) é um comportamento correlacionado a múltiplos níveis de organização biológica das operárias facultativamente estéreis.

Os mapeamentos genéticos demonstraram que o comportamento forrageiro é uma conseqüência da sua arquitetura genética rica em pleiotropia e epístase, possivelmente afetando seu padrão reprodutivo.

A ação gênica responsável por um simples hormônio envolvido na reprodução afeta toda a arquitetura fenotípica e fornece um forte suporte para nossa hipótese de que a divisão de trabalho e a atividade forrageira das abelhas operárias são derivadas de um ciclo reprodutivo de insetos solitários.

Alterações nas perspectivas de tratamento da Cria Pútrida Americana (Changing Perspectives on American Foulbrood AFB ) por Michael Hornitzky (Austrália). A AFB causada pelo Paenibacillus larvae tem sido amplamente estudada desde 1906 sendo que o único meio mais eficaz de combate a ela tem sido o combate pelo fogo, embora a irradiação gama e outros meios de combate venham sendo utilizados como por exemplo a quimioterapia.

Um dos produtos mais usados tem sido o sulfatiazol de sódio porém ,sua estabilidade no mel deu lugar ao uso da oxitetraciclina como meio alternativo. Face ao aparecimento de resistência da AFB surgiram novas alternativas como a tylosina. porém, existe a preocupação de novas linhagens resistentes também a esse antibiótico.

Técnicas de biologia molecular modernas , imunoquímica etc tem sido desenvolvidas, permitindo dignósticos da AFB fora das colméias.

No entanto, em virtude da demanda pública por alimentos saudáveis e sem resíduos químicos a indústria alimentar, inclusive os apicultores e os distribuidores de mel estão se tornando cada vez mais exigentes em relação a qualidade do mel,direcionando os pesquisadores a desenvolver métodos de controle que não produzam resíduos no mel, sendo essa tendência direcionada não apenas contra a AFB como também contra qualquer outra doença das abelhas .

Novos Desafios para a Exportação e Importação de Rainhas e Pacotes de abelhas (New Challenges for the Exportation and Importation of Queen and Package Bees), por Martin Braunstein (Argentina). O presente trabalho do produtor de rainhas Malka,de Buenos Aires, focaliza o papel fundamental do controle das exportações por algumas organizações internacionais como a WTO (World Trade Organization), SPS (Sanitary and Phitosanitary Agreement), IATA-LAR (International Air Transport Association Live Animals), FAO etc.,em especial sobre o transporte de rainhas.Salienta o mercado internacional de rainhas como uma positiva conseqüência da globalização da Economia, que permite a distribuição de linhagens geneticamente desejáveis de abelhas Apis mellifera e de cujo mercado muitos apicultores dependem para sua sobrevivência.

No entanto, a competição global é um grande desafio face ao risco de disseminação de pragas exóticas, disseminação de doenças e de linhagens indesejáveis. Este tema é motivo de grande preocupação para os apicultores principalmente face às importações clandestinas.

O autor está convicto de que as importações legais e devidamente controladas de rainhas e pacotes de abelhas representam a melhor alternativa para a equação dos problemas.

Estudos comparativos entre Rainhas Inseminadas Instrumentalmente (IIQs) e Rainhas acasaladas naturalmente (BMQs) (Comparison Studies of IIQs and NMQs ), por Susan Cobey, (USA). A inseminação instrumental é uma técnica que permite o controle de acasalamentos, sendo essencial para as pesquisas de melhoramento e estoques de abelhas.

Comparação de três Grupos permitiram avaliação da produtividade das colônias e longevidade das rainhas.O Grupo I incluiu cinco estudos mostrando igual performance das rainhas IIQs e NMQs. O Grupo II incluiu seis estudos mostrando maior performance das rainhas IIQs e o Grupo III incluiu um estudo mostrando maior performance das rainhas NMQs. O tratamento das rainhas tem papel fundamental na sua performance.As rainhas IIQs dos grupos I e II foram inseminadas com idade entre 5 e 12 dias, com 8 a 12 ul de sêmen e nenhuma ou mínima permanência no Banco de rainhas.

No grupo II as rainhas foram inseminadas com idade de 2 a 3 semanas, com pequenas doses de sêmen e confinadas em Bancos por 2 a 3 semanas antes da introdução. O reduzido número de espermatozóides, baixa produção da colônia e baixa taxa de sobrevivência das rainhas do grupo III foi atribuído à metodologia.

O confinamento das rainhas em gaiolas após a inseminação reduz a eficiência da estocagem dos espermatozóides na espermateca e as rainhas são danificadas pelas operárias, aumentando a taxa de substituição de rainhas.

O Besouro Aethina túmida (Coleóptera:Nitidulida) como um Vetor da Cria Pútrida Americana (AFB) (Aethina túmida (Coleóptera:Nitidulida) as a Vector of Paenibacillus larvae ) por Marc O.Schaefer ,W.Ritter e P.Newmann (Alemanha). O coleóptero A.túmida ou SHB (small hive beetle) foi investigado como um possível vetor dos esporos de P.larvae que é a bactéria causadora da AFB.

Foram tomados quadros de crias de colônias altamente infestadas com AFB e colônias sadias em Beltsville,USA e distribuídas em frascos plásticos. A seguir foram criados besouros Aethina em laboratório e introduzidos nos frascos (20 em cada) e mantidos no escuro a 30º C. Após sete dias todos os besouros vivos foram congelados até que culturas de P.larvae fossem obtidas e os demais procedimentos realizados.Três placas foram preparadas de cada amostra.Foram inoculadas 252 placas e avaliadas quanto à presença de bactérias após seis dias.Em média obtivemos 126 esporos de P.larvae em SHB e 1 esporo no controle

Nossos resultados mostram que, mesmo se apenas doses pequenas de esporos são transmitidos, é possível infectar crias jovens de abelhas com P.larvae.Em conclusão nossos dados sugerem que o besouro SHB pode atuar como um Vetor de P.larvae.No entanto, devido ao baixo número de esporos transmitidos há a necessidade de se verificar seu efeito no surto da AFB.

Novos procedimentos morfométricos em asas velhas (New measurements in old wings ) por Per Thunman (Suécia). A morfometria é um método que tem sido utilizado pelos cientistas para determinar as raças de abelhas desde 1920. O padrão das nervuras das asas fornece informações que podem ser usadas na seleção das abelhas para melhoramento de uma raça pura.

Vários têm sido os métodos sendo os mais comuns baseados em asas montadas entre lâminas de vidro cujas imagens são projetadas para as mensurações. Com o uso dos computadores e scanners a metodologia ficou mais fácil e mais rápida para o processamento dos dados.

Para as classificações cientistas como o Prof. F. Ruttner desenvolveram métodos padrões tais como o índice cubital e o ângulo discoidal, sendo estabelecidos padrões para as diferentes raças puras. O problema é que algumas das amostras das alegadas raças puras podem ter sido de abelhas híbridas A Apis mellifera mellifera tem um ângulo discoidal negativo e um baixo índice cubital (valor médio de 1,5 a 1,9 e um máximo de 2,1, medidas feitas por Prof. Ruttner em asas obtidas das escavações de York e Oslo ).

No entanto, quando obtivemos de John Dews fotos daquelas asas velhas e fragmentos de asas escaneamos as mesmas e ao aplicarmos nossos programas constatamos que nenhumas das 50 asas apresentavam índice cubital superior a 1.9 e todos os ângulos discoidais foram negativos. Portanto, acreditamos que uma abelha mellifera pura tem índice cubital menor que 1.9. No entanto, se as abelhas apresentam uma mistura com A.m. caucasica o ângulo discoidal é negativo, porém o índice cubital é superior a 1,9 para algumas das abelhas operárias.

Estudos Morfométricos Comparativos entre Diferentes Ecotipos de Abelhas de Apis mellifera (Argentina-Brasil).(Morphometric Comparative Study Between Different Honeybees Ecotypes of Apis mellifera (Argentina-Brasil) por Cecília Andere, Rosana Cepeda, Claudia Marinelli, Enrique Bedascarrasbure e Edgardo Rodriguez (Argentina). As abelhas Apis mellifera através de cruzamentos entre genótipos europeus e africanizados desenvolveram uma significativa habilidade de adapatação a diferentes ambientes e deram origem a diversos ecotipos.

O objetivo do programa genético sobre abelhas (MeGA) na Argentina é selecionar abelhas adaptadas a diferentes regiões no país para caracterização do material genético.Recentemente foram detectadas diferenças entre ecotipos, portanto variáveis morfométricas ,incluindo abelhas do Brasil.Análise multivariada foi aplicada para caracterizar 36 colônias de ambos os países,tendo sido medidas 11 variáveis das asas, patas e proboscis com o software Image-Pro.Plus para análise de imagens e Info-Stat e R para análises estatísticas. As variáveis morfométricas discriminaram três grupos de acordo com a origem geográfica e relacionados a diferentes latitudes na Argentina.

No entanto, uma análise discriminante subseqüente dos clusters mostrou que as abelhas brasileiras foram diferentes do resto (P<0,05) sendo que a caracterização morfométrica permitiu uma discriminação entre os ecotipos da Argentina e do Brasil.

Conservação e Geração de Rendimentos: Cultura de Abelhas sem ferrão como subsistência de Fazendeiros na região Leste da Amazônia. ( Conservation and Income Generation:Stingless Beekeeping Among Subsistence Farmers in the Eastern Amazon Region ) por Giorgio Venturieri .(Brasil). O manejo de abelhas sem ferrão oferece uma alternative sustentável para gerar rendimentos extras, especialmente para garantir a subsistencia de comunidades de fazendeiros da região leste do Amazonas.A região é rica em espécies de abelhas produtivas e pelo menos 24 são regularmente exploradas, muitas delas produzindo mel e pólem para a comercialização.

Nos últimos sete anos houve um grande avanço na exploração da meliponicultura no Brasil. A adoção de colônias racionais verticais revolucionou a multiplicação de ninhos e coletas de mel e pólem.

Dez meliponicultores que adotaram o sistema racional de manejo de Melípona fasciculata e Melípona flavolineata tiveram um aumento de produção acima de 150% sendo que para eles a produção de mel bem como as comercializações de ninhos são exemplos notáveis da contribuição de suas propriedades no aumento de seus rendimentos.

Caracterização Molecular de populações de abelhas melíferas em diferentes regiões da Província de Buenos Aires (Molecular caracterization of the populations of mellifera bees in difrferent regions of the Província of Buenos Aires), por Osvaldo Atela (Argentina). Foram analisadas amostras de 300 colônias de abelhas, quanto ao DNA mitocondrial, coletadas de 150 apiários localizados em 71 pontos da Província de Buenos Aires.

Foram constatadas pela técnica de PCR, três linhagens diferentes evolutivamente,: linhagem européia oriental ( C ), linhagem africana ( A ) e linhagem européia ocidental ( M ), com 8 haplótipos em cada linhagem, tendo por base 3 grupos de abelhas: as italianas (ligustica), as africanas (scutellata) e as intermissa e "black bee" ou mellifera .

Os resultados mostraram que a freqüência das italianas é ainda muito alta na Província de Buenos Aires, devido principalmente às importações de rainhas dessa raça desde o início das atividades apícolas no país. Já as "black bees" são de freqüências mais baixas.

O avanço das híbridas africanizadas vindas do norte pode ser interpretado como o resultado do DNA mitocondrial das abelhas Apis m. scutellata e das descendentes das Apis m. iberiensis vindas da Península Ibérica.

Avaliação Físico-química de mel brasileiro da abelha Jataí (Tetragonisca angustula) (Physicochemical Evaluation of Brazilian Honey from Jataí Bee (Tetragonisca angustula ) por Ligia Bicudo Almeida-Muradian e Fernando Barion (Brasil). O mel é considerado um alimento que produz energia, sendo elaborado da desidratação e transformação do néctar das flores pelas abelhas. Para o consumo humano o mel precisa atender aos requerimentos mínimos de identidade e qualidade demandada pela sua regulamentação.No Brasil existem os apicultores que trabalham com as Apis mellifera e os meliponicultores que trabalham com as abelhas sem ferrão como a Jataí etc.

Não existe parâmetro de identificação e de qualidade desse tipo de mel. Os resultados das análises físico-químicas do mel de Jataí de Lins-SP são os seguintes: umidade 21,21% , acidez total 37,05meg/kg, açucares redutores 67,71%, aparente sucrose 0,86%, HMF 0,09mg/100gr, atividade diastásica (DN=16,6), sólidos insoúveis (0,099%), cinzas 0,17%, proteínas 1,09%, lipídeos 0,07% e carbohidratos 77,22%. Este trabalho pretende colaborar com a futura legislação dos méis de abelhas sem ferrão.

Células pedotróficas de Osmia cornuta como um instrumento apropriado para monitoramento de íons metálicos no meio ambiente (Osmia cornuta pedotrophic cclls as a suitable tool for monitoring environmental metal íons.) por Mauro Pinzauti, G.Paccini, G.Bedini, M.Soci, S.Rocchi e A.Felicioli. (Itália). O objetivo deste trabalho é investigar a presença de chumbo, cromo, cádmio, cobre, nickel, magnésio, ferro, alumínio, arsênico, mercúrio e zinco no lodo, pólem, fezes, casulo e em todo o imago coletado dentro de células pedotróficas da abelha Osmia cornuta.

As células pedotróficas foram obtidas de amostras de ninhos coletados de três diferentes áreas da Toscana, na província de Siena.

As células pedotróficas são consideradas como um sistema fechado onde o pólem introduzido pelas fêmeas é totalmente consumido e metabolizado pela larva.Portanto, os íons metálicos encontrados no pólem que serão consumidos devem ser encontrados no inseto ,no casulo, no material fecal ou em todos esses materiais.

Além disso, a análise palinológica das provisões de pólem permitem descrever o padrão floral visitado pelas abelhas.

As análises espectroscópicas das amostras permitiram detectar os íons metálicos em todas as amostras e o destino deles.Os resultados fortemente indicam que as células pedotróficas de Osmia cornuta representam uma ferramenta apropriada para monitorar íons metálicos em pequenas áreas.

Por outro lado, os resultados obtidos servem para atualizar as leis ambientais sendo que alguns resultados mais elevados sugerem a necessidade de monitoramentos periódicos.

Variabilidade morfológica das asas de abelhas africanizadas (AHB) avaliada por meio de morfometria geométrica (Morphological variability of Wings of Africanized Honey Bees Evaluated Using Geometric Morphometry ) por Tiago M.Francoy, Lionel S.Gonçalves e David De Jong (Brasil) . A Africanização das abelhas Apis mellifera no Neotrópico é um exemplo interessante da dominância de uma subespécie sobre outras.

Desde a introdução das abelhas africanas Apis mellifera scutellata no Brasil em 1956 e seu cruzamento com outras subespécies européias introduzidas anteriormente diversos estudos tem sido realizados para caracterizar essas abelhas.

Todos eles têm demonstrado uma dominância da subespécie africana em quase todos os aspectos incluindo a genética, ecologia, morfologia e comportamento.

Por meio da morfometria geométrica nós caracterizamos os padrões de venação das operárias de 26 populações de abelhas AHB bem como quatro subespécies que contribuíram com a população atual de abelhas em nosso país.

Encontramos grande similaridade na forma das asas de várias populações de abelhas AHB, sendo agrupadas de acordo com a região.Todas as populações se relacionam mais proximamente as Apis m.scutellata seguidas da Apis m.mellifera, Apis mellifera ligustica e Apis m.carnica, o que confirma outros estudos feitos com alozimas e microsatélites.

Conseguimos classificar 70,2% das colônias de diferentes locais em cada grupo (dendogramas) demonstrando que, mesmo com pequena variação na forma das asas a metodologia é suficientemente sensível para distinguir os grupos de abelhas estudados.

Árvores onde nidificam as abelhas sem ferrão (Trees where stingless bees nidify) por Marilda Laurino e Denise Alves (Brasil). A presença de ocos nas árvores tem sido considerada como um fator de biodiversidade sustentável, uma vez que muitos animais como pássaros, pequenos mamíferos além das abelhas utilizam esses espaços para fazer seus ninhos.

Um inventário baseado em bibliografia e observações pessoais sobre as árvores preferidas pelas abelhas sem ferrão aponta para 560 espécies na América do Sul e Central, sendo mais comuns às famílias Fabaceae (32%), Anacardiaceae (12%), Moraceae (6%), Lauraceae (4%) e Vochysiaceae (4%).Os gêneros de árvores mais freqüentes usados por essas abelhas são em ordem decrescente: Tabebuia, Caesalpina, Commiphora, Salvertia, Fícus e Tapirira e as abelhas sem ferrão mais encontradas pertencem aos gêneros Melípona (28%), Trigona (18%), Tetrágona (16%), Scaptotrigona (12%) e Friseomelitta (8%), a maioria nidificando preferencialmente em determinadas árvores,porém algumas vezes sendo encontradas até 2 espécies diferentes na mesma árvore.

Estudos sobre a preservação de sêmen de Apis mellifera (Studies on Apis mellifera semen preservation) por Cecília Andere ( Argentina ). Os métodos de preservação de sêmen de zangões no desenvolvimento de linhagens resistentes aos ácaros são muito importantes para os programas de melhoramento.

Frequentemente o sistema de população fechada é usado para se manter os genótipos melhorados e para se manter a variabilidade, sendo de importância fundamental a qualidade do sêmen preservado. Neste trabalho, para as coletas de sêmen usamos a seringa Harbo.Foram medidas a mobilidade, concentração e viabilidade dos espermatozóides. O número médio de espermatozóides por zangão por colônia foi de 4,58 a 7,92 milhões, com resultados não diferentes entre as colônias (P>0,05).

A viabilidade do sêmen foi avaliada em diferentes diluentes (Kiev, Kiev com trehalose, Williams-Harbo e W-Harbo com trehalose e outros diluentes para suínos etc.) A porcentagem de espermatozóides vivos/colônia foi de 71 a 95% (sem diferenças estatísticas P> 0,05). A herdabilidade para a viabilidade foi h2= 0,67 e encontramos vários microorganismos (Staphylococcus spp , Bacilus etc.)

Nossos resultados indicaram que a viabilidade dos espermatozóides pode ser melhorada por seleção, a mobilidade dos mesmos não é uma boa característica para se avaliar a qualidade do sêmen, a contaminação por microorganismos é freqüente nas colônias de abelhas e que a preservação do sêmen por crioconservação pode ser obtida com sucesso.

Determinação e Qualificação de Feromonios da Glândula Mandibular de abelhas Africanizadas (AHB) para estudos de comportamento por meio de Cromatografia líquida. (Determination and Qualification of Mandibular Gland Pheromones in Africanized Honey Bees for Studies of Behavior Using Liquid Crhomatography) por Gesline F.Almeida, Andréa R.Chaves, Lionel S.Gonçalves e Maria E.C.Queiroz (Brasil). Muitos comportamentos sociais das abelhas são controlados pelos feromonios como a atração das operárias pelo enxame e a estabilização do enxame.O objetivo deste trabalho foi desenvolver uma metodologia para separar e quantificar os feromonios 9-ODA e 9-HDA produzidos pela glândula mandibular de rainhas virgens e fecundadas de abelhas AHB por meio da cromatografia líquida. Foram obtidas as curvas padrões para os feromônios sintéticos e a seguir determinados os valores para as amostras coletadas.

As curvas analíticas apresentaram fatores de regressão linear acima de 0,98 sendo que a metodologia permitiu a identificação e quantificação de ambos feromônios das rainhas AHB, podendo a metodologia ser utilizada nos estudos do comportamento enxameatório dessas abelhas.

Compostos Fenolícos e atividade Antioxidantes de Própolis brasileiro (Phenolic Compounds and Antioxidant Activity of Brazilian Própolis) por Ligia Bicudo Almeida-Muradian. (Brasil) A própolis é uma substancia resinosa coletada pelas abelhas nas plantas. Sua composição química é complexa, sendo muito relacionada com as características da flora de cada região visitada pelas abelhas.

Alguns compostos fenólicos como o ácido cumarico, ácido ferulico, galangina, quercetina, canferol e artepelin-C são usados para se estabelecer à qualidade da própolis e, de acordo com a legislação brasileira, a própolis deve conter um mínimo de 5,0% (mm) de compostos fenólicos.

Foram coletadas 33 amostras de própolis da região Sudeste do Brasil e analisadas por espectrofotometria (usando ácido garlico e atividade antioxidante).Foi encontrada uma grande variação de compostos fenólicos (0,95 % a 29,52%).

Os resultados mostraram uma grande atividade antioxidante (85% a 92%). Estatisticamente foi demonstrado existir correlação positiva entre o alto teor fenólico e a grande atividade antioxidante nas amostras de própolis brasileiras analisadas.

Efeito do aumento induzido da Temperatura dentro de Câmara Climática sobre o Comportamento Higiênico (CH) de Abelhas africanizadas (AHB). (Effect of Induced Temperature Increases in a Chamber on the Hygienic Behavior of Africanized Honey Bees ) por Rogério A. Pereira, Gesline F.Almeida e Lionel S.Gonçalves ( Brasil). Os fatores climáticos podem modificar, modular ou suprimir alguns comportamentos das abelhas.

As abelhas são altamente capacitadas a realizar termoregulação que inclui mecanismos comportamentais e fisiológicos na colônia. As AHB apresentam também o comportamento higiênico que é a capacidade de remover crias mortas,danificadas ou doentes da colônia.

No presente trabalho examinamos o stress causado pelo aumento da temperatura sobre o comportamento higiênico. Constatamos que a 34º. C a taxa de remoção ou CH foi de 100%, a 38º.C foi de 63% e a 40º. C a taxa de remoção foi zero.

Aparentemente as operárias foram deslocadas da atividade de remoção para realizar a termoregulação e coleta de água.Quando se atingiu a temperatura máxima internamente de 40º.C aumentou a atividade de saída das abelhas e formação de barba (cluster) na entrada da colônia.

Comportamento Enxameatório (Abandono) em Abelhas Africanizadas no Nordeste do Brasil (Absconding Behavior in Africanizeds Honey Bees (AHB)in Northeast Brazil ) por Gesline F.Almeida, Lionel S.Gonçalves, Kátia P.Gramacho e Valdemar Belchior Fo. (Brasil). O comportamento enxameatório das abelhas AHB é um problema especialmente no Nordeste brasileiro onde as perdas por abandono são de 30 a 50%. Muitos fatores podem influenciar e provocar o abandono tais como: falta de água, stress, alta temperatura e falta de alimento. O monitoramento e registro das atividades de vôo das abelhas bem como controle da temperatura e umidade podem nos auxiliar na compreensão do comportamento enxameatório.

Foram monitoradas por um mês durante 24 horas por dia as atividades de vôo de 5 colônias (3 tratamento e 2 controle) de abelhas AHB instaladas dentro de Câmaras climáticas dotadas de sensores para temperatura, umidade e com registradores automáticos (apidometros) dotados de células fotoelétricas para registros de entrada e saída das abelhas.

Foram obtidos os padrões normais de comportamento das abelhas sem aumento da temperatura e, a seguir, para indução da enxameação, foi aumentada a temperatura no interior da câmara de 28 a 50º.C das 8.00 da manhã às 18.00 horas.Constatou-se várias vezes que ao se atingir 41º. C ocorreu enxameação por abandono, ocorrendo uma saída em massa das abelhas (enxameação por abandono) deixando para trás tanto crias como alimento.

Produção in vitro de abelhas sem ferrão em colônias de Scaptotrigona postiça (Apinae, Meliponini) (Stingless bees in vitro rearing in Scaptotrigona postiça (Apinae, Meliponini) por Cristiano Menezes e Vera L. Imperatriz Fonseca (Brasil). As abelhas sem ferrão são abelhas eusociais que pertencem ao grupo dos Meliponini. Elas apresentam colônias perenes, alimentação massiva de larvas e se reproduzem por enxameações.

Elas podem ser criadas para produção de mel ou para uso em polinização em green-houses.Um problema na multiplicação delas é o limitado número de rainhas produzidos pelas abelhas sem ferrão, com exceção das Melíponas.Este trabalho trata da produção in vitro de rainhas Scaptotrigona depilis.O método consiste na transferência de larvas de primeiro instar dos alvéolos naturais para alvéolos artificiais onde a quantidade de alimento pode ser controlada.

Foram escolhidos favos recém construídos,retirados das colônias e extraído o alimento larval (100ul, quantidade 3 vezes superior ao conteúdo das células de operárias) de 350 células de crias para preencher 96 orifícios de uma placa de acrílico. A melhor taxa de sobrevivência obtida foi de 51,04% (49 rainhas). O método está sendo melhorado no sentido de se controlar o principal problema que é o desenvolvimento de fungo nas células (provavelmente controlado nas colônias por Acari).

Produção de rainhas e machos em um população isolada de abelhas sem ferrão (Melípona scutellaris) (Queen and male production in na isolated population of stingless bees (Melípona scutellaris) por Denise Alves, Vera L. Imperatriz Fonseca e Paulo Nogueira Neto (Brasil). A produção de abelhas sem ferrão em larga escala é um importante aspecto a ser investigado. Isto deve-se ao seu potencial uso em atividades sustentáveis como a exploração da meliponicultura ou como polinizadores.

Neste trabalho feito de 3/2006 a 1/2007 estudamos a produção de sexuais em Melípona scutellaris, uma espécie com distribuição geográfica no Nordeste do Brasil, com um alto valor para a meliponicultura regional.Analisamos 53 favos de crias de diferentes colônias instaladas na fazenda Aretuzina,em São Simão-SP em cujo local Nogueira-Neto vem produzindo divisões desde 1996, iniciadas por duas colonias de Recife e hoje existem 30. Cada célula foi desoperculada para identificação da casta e sexo.

Do total de 17.786 Indivíduos analisados apenas 22,75% eram machos e 11,47% eram rainhas. Quando considerávamos apenas as fêmeas (13.370) a porcentagem de rainhas aumentou levemente para 14,85% Os machos estavam ausentes em 13,21% das amostras e sua produção média foi de 22,61% dos indivíduos.Estes dados indicam, como já demonstrado por outras espécies de Melípona, que algumas colônias produzem machos em certos períodos, contudo, há uma assincronia entre os ninhos.

O Grupo de Trabalho "Prevenção das Perdas de Abelhas na Europa (The Working Group" Prevention of Bee Losses in Europe "por Antonio Nanetti (Itália). Há poucos anos dentro do Grupo Europeu para o Controle Integrado da Varroa iniciou-se uma discussão a respeito do futuro do grupo em si e sobre a necessidade de se realizar uma tal colaboração como tem sido por mais de uma década.

De fato, neste período um substancial número de trabalhos experimentais frutíferos sobre o controle da varroa com acaricidas suaves foram realizados, atingindo-se os objetivos iniciais propostos.Posteriormente,em 11/9/2006 os objetivos iniciais foram transformados em ."Prevenção das Perdas de Abelhas na Europa".

Muitos países estão tendo altas mortalidades de abelhas, freqüentemente por causas desconhecidas, com prejuízo na produção de mel,tendo aumentado a preocupação a respeito da situação ambiental e uma possível falta de polinizadores de plantas selvagens e de cereais em certas áreas.

Nesse sentido foram Incluídos no grupo membros com diferentes especialidades sobre patologia apícola e sobre a relação abelha-meio ambiente.No momento (fevereiro de 2007) o grupo conta com mais de 50 membros representando 18 países para estudos, monitoramentos e ações para prevenção das perdas de abelhas. .

Máscara de coloração clara diminui grandemente o ataque pelas Abelhas Africanizadas (A Light-Colored Veil Greatly Diminishes Attack by Africanized Honey Bees ) por Lionel S.Gonçalves, David De Jong e Tiago M.Francoy (Brasil). Embora a maioria dos apicultores já esteja informada de que as roupas devam ser claras, as máscaras ou véus ainda são confeccionados escuros uma vez que as telas claras refletem a luz deixando prejudicada a visão.

Consequentemente, as abelhas agressivas tendem a voar em direção a face dos apicultores, atacando a máscara de cor escura. Desde 1970 temos utilizado máscaras claras em nosso trabalho com as abelhas africanizadas e temos recomendado seu uso em nossos cursos e publicações.

Estas são escuras na parte interna e clara por fora, permitindo perfeita visão.Testamos máscaras que diferiam apenas na cor, revezando alternativamente com dois diferentes apicultores para controlar possíveis diferenças de odores ou outras características.

Não usamos fumegadores e propositadamente causamos distúrbios na colméia. Aproximadamente 10 vezes mais abelhas voavam em direção às máscaras escuras. Assim, com base nesses resultados e com mais de 30 anos de experiência trabalhando com abelhas africanizadas nós recomendamos que as máscaras sejam confeccionadas com telas de cores escuras na parte interna (por dentro da máscara) e cor branca por fora, o que grandemente reduz o ataque das abelhas das colônias altamente defensivas.

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